["Non... Rien de rien.../Non... Je ne regrette rien/C'est payé,/balayé, oublié,/Je m'en fous du passé!"]

terça-feira, 26 de julho de 2016

Solene como a vida é
Faltam-me colhões
Pra saber conter paciência

Mesmo diante ironias
De velhas canções

A insana mão
que me pede com veemência
para deitar sobre a luz sórdida
da existência humana

e pôr-me na cara a seriedade
das “bem pensantes” contorções...

domingo, 24 de julho de 2016

À razão

O homem sempre esteve
Fixado na ideia da exatidão
Assim...
Tolo ele pensa
Poder controlar os astros
A natureza
E tudo quanto é tudo em volta dela

Vitruvianos ou não
Retângulos de ouro
É como arrasta pelos séculos o ser
A corrente da mais perversa prisão
Da palavra feita pluma
Que dão cócegas
A vã filosofia

Chamada razão... 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

À Dona

Amaste-me
como a um sopro de impulso
pondo sobre a carga de meu nome
vossa santa pátria
replicando algum bem querer
desdenhado um tanto absurdo

Tua cria sem quereres ser
que fostes tua...

E rasgo os panos forrados
dos assentos já fadados
das garras minhas


Sou felino pra bem dizer...


domingo, 3 de abril de 2016

Coisas de infância

Uma mania obsoleta
De escrever números...
Quando muitos e mais rápidos
Se imagetificavam
Na dobrura do infamo  
Como coisa sem presumo
Abria-se ao espasmo
Um calafrio barato...
É... deveras poderia ser
Se assim fosse
Uma sorrateira excitação. 

Sobre cortes

E se eu fosse caco...
Eu seria então pormenor
Uma parte
À parte outras partes
Que formam o vaso
Com inúmeros outros cacos
Sobre o chão
Estilhaço
Rente ao primeiro pé
Que por ali passe...



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Coração disritmado

eu quero é que
a minha palavra seja fria
fina ponte que afunila
afinando feito ponta de punhal
perfurando pra tocar sem ferir
o que há de mais gritante em ti.


Com todo respeito Sr. Vinícius,

Qual ser não romperia com o esquecer?
Sopro aos pés dos ouvidos um som agudo
Monólogo de Orfeu e suas horas.
a hora derrama o seu óleo de amor em mim, amada.”

Qual ser não fruiria do esplendor?
De ver, e estar doente dos olhos  
As metamorfoses do querer
essa vontade de estar perto, se longe
ou estar mais perto se perto

Qual ser não se agarraria a grandeza do sonho?
Perante o encolhimento da realidade
 E o admirável impossível
“Orfeu menos Eurídice: coisa incompreensível!”

Qual ser não se deitaria a espera?
Diante proclame tão alto em dizer
Que outro ser por ti, junto a lua, há de eternizar
e aqui me deixo rente quando voltares,
pela lua cheia