["Non... Rien de rien.../Non... Je ne regrette rien/C'est payé,/balayé, oublié,/Je m'en fous du passé!"]

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Não sou... nem negro nem branco
Sou uma cor esquecida
De vermelho amarronzado

Onde o negro foi cavalo
E o branco
Chefe da cavalaria

Eu fui além de escravo
Roubado e massacrado
Dentro das próprias terras que eram minhas

Quando ainda achado pouco
Me cortaram as pernas
Os braços e corpo, sobretudo a língua

Foi-se junto com ela a esperança
Que nunca veio nem nunca esteve aqui
Mais uma invenção alva: A Esperança

deveria ser branca e não verde
Da pouca mata que se mata
Cada dia um pouco mais

Das árvores, comeram mais que cupim
Das águas, sujaram mais do que latrina
Das feridas só sobraram as feras

Virei ridiculamente uma peça animada
Nos livros de história
Com data pra comemorar

Artigo tantas vezes folclórico
Quase como um peso a ter que se carregar
Na imensidão das raças anuladas

Sim... talvez haja tantas outras tribos por aí...

De ganho só me restou mesmo o apagamento
Lento... Disfarçado de preocupações
Com a raiz de “minha” alma

Nos meus irmãos atearam fogo
E subtraíram silenciosamente a alegria
De se viver em natureza crua

TIRARAM-ME OS HÁBITOS...!

De gente que corre descalço
E com a pele toda à vista
Sob um sol de verdades ditas

O meu nome é um engano
Em real sou um filho dessa terra
Que pensavam os homens ser a índia

Muito prazer o meu nome é:

Indígena. 

16/10/2015


Como num grito de revolta
Ela se choca...
Na parede de mágoas que ali se forma
Sobre a forma de outra coisa entendida
De libra
Simplesmente desequilibra
Na balança da superfície dividida. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

a Vanessa Macedo
















A paisagem de minha janela é um prédio
O concreto que vejo reflete o abstrato em mim
A parte a dentro é todo um quarto

Amarração das minhas fugíeis ideias nulas
Conspirando contra o deserto lar
Os antigos frascos de perfume amargo

De vidro quebrado
De volta pro aço

Em uma constante estripulia revolta
Em volta do mesmo plástico abafado
Ver as narinas clamarem por ser

Aquilo que antes não haveria de morrer
Sob a malha fina e discreta
A [pai]sagem do meu quarto


Há mais concreto dentro dele!  
Vou embargar a tristeza
E devolver o esteio do meu corpo
Ao lume morno
A medida exata para
O confuso torso de três hastes
Quase que nem uma planta
Enraizar, entre águasolar

E renascer das cinzas ave perdida 

Espasmo













Melancolia
                De Vinícius até Ellis
Lars Von Trier

Entra pelos tímpanos
A derramar sob-hálitos corrosivos
Fluídos tons...
Pupilos, então, de qualquer mal dizer
À revelia do caos que perpassa
Filmicamente o estado do pesar

Sons e imagens agora são um
Uniformemente 1
[...]
Há proximidade demais
Entre os corpos e qualquer metafísica
Derramada assim
Sensível calda fina que envolve

A sufocar...
O meu canto é de grito
De torpor
Modesta hipnose que de súbito arado
Fez-me trabalhar anti seu embalo
Coisa feita sem plano

Serve ao contrário pra acordar 

Bicho de sete cabeças

A primeira,
Ainda tonta do que houvera

A segunda,
Erguida a puro sentido vago

A terceira,
A legos de onde estou

A quarta,
Sob um olhar de profuso condensar

A quinta,
Suavemente encosta tchã

 A sexta,
Desfigura ao amanhecer sem razão

A sétima,

Harmoniza todas e Corta fria a insensatez do pensar